sexta-feira, 13 de setembro de 2013

13. Ah o amor...


O amor é um espaço sem tempo que cruza palavras delicadas com gritos desesperados. É uma força formada por um vazio quase que inexplicável mas fácil de ser sentido. É um brado de misericórdia; um esmolé chorando fraco por um gole de água numa rua de medrosos e ímpios.

Ah, o amor.

O amor é um pedaço de pêssego podre sob a água de uma privada de banheiro público. É uma sensibilidade cega às verdades hipócritas e vis de um monge mudo e virgem no Tibet. É a voz opaca da realeza que se propaga nas ordens dos guardas do castelo e no lacrimejo discreto das crianças pobres.

O amor...

O amor é uma gota de suor que se derrama nos trapos que encobrem a cama. É o cheiro de chuva que infesta o quarto e deve sair pela janela antes da porta. É um pedaço de pão que se come a seco, sem vinho, sem carne, sem vida.

O amor não é como se pensa, não é uma andorinha, nem é limpo ou doce. É um abutre que esfrega as próprias asas. É um verme no pedaço de gordura dispensada do bife.

O amor é a fome, o medo, o frio, o tédio o perdão.

O amor é assim, amável...

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