quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Neblina na estrada

Tenta, só tenta me rasgar inteiro e vestir minha pele por um dia, um único dia. Te desafio a não pular de um prédio sentindo meu coração pulsar dentro de você. Te duvido um único ato diferente do que tento para evitar tal façanha.

Tenta, sinta, sinta o que sinto e num único dia tudo desmoronará, tudo será fel, nada será nada além de trevas no fim do túnel em que só se esbarra numa parede de concreto ou numa pedra de gruta.

Tenta ouvir como eu ouço as gotas que pingam dos estalactites, que na verdade não passam de lágrimas presas aos olhos. Busca saber, busca entender.

Suas palavras de reprimendas não me acalentam, seu trabalho intelectual não me tranquiliza, suas queixas não me intimidam. Não é assim que se resolve nada.

Meu peito sangra e minhas veias ainda pulsam, mas quando pararem de vez, não sou eu quem vai chorar.

Minhas lágrimas de hoje se multiplicarão noutrora como um barco à deriva, que a todos os náufragos só faz esperar pela morte certa num sol escaldante e sedento com centenas de milhões de litros d'água imbebíveis ao redor.

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