Sem deslindes ou paranoias
Sem colar de pérolas ou tramoias
Com entusiasmo e cheio de pique
Com vestes de ouro e nenhum aplique
Serve como serve um beija flor
Que se banha nas águas quando ninguém lá for
Que se derrete de prazer sem medo do perigo
Que se mete onde não deve só por ser um pássaro perdido
Poeta não é quem escreve ou diz
É quem sente e se apraz com a voz
Ou o giz escrito num quadro negro
Que na verdade é verde mas ninguém diz
É meio quem sente quando vê
Meio quem sofre quando sente
Um pouco quem sabe o que quer ser
Ou não faz ideia de onde se sente
Como uma mandala feito de sonhos
Como um filtro que espanta pesadelos
Jeito de um sentir que se enlaça em pontos
De uma curva perfeita, sem relampejos
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