Nenhum olhar me comove, sou frio feito a lâmina da espada que me corta os ventrículos. Sou o pesar nas costas do corcunda. Sou a indignação fervilhante dos jovens. Sou o tempero amargo desse caldo de desilusões. A cortina se fecha e o teatro se esvazia. O mendigo acorda e toma sua cuíca em posse pra mendigar seus centavos. A noite se esvai e o orvalho seca. A folha seca. A árvore queima.
Nenhum olhar me comove, sou a sereia nunca vista. Sou a lantejoula no brinco do hippie. Sou a verdade na língua de quem mente. Sou tudo, menos escravo. Ninguém aprisiona uma mente que deleita-se com as próprias divagações. Ninguém tira de mim a filosofia. Ninguém é capaz de impedir que eu sonhe. Ainda que me tirem a vida, dormirei o mais profundo dos sonhos.
Não me acomode, eu não vou te obedecer e não vou me acomodar.
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