Enquanto eu me barbeio vejo um rosto que aparece de frente ao espelho embaçado, dessa vez um rosto diferente, já mais surrado que antes.
Vou me aproximando da felicidade que busco diariamente, como o horizonte numa longa viagem que quando se acaba, passa.
Vejo aos poucos começarem, lentamente, a se apagar as labaredas de ideias, ideais, sonos e sonhos. Tão cansado quanto quem volta de três turnos seguidos de serviço e não consegue fechar os olhos para dormir nem metade do quarto. Tantas argumentações complexas, tanta elaboração intelectual... Difícil de, ao final do dia, lembrar se já escovei os dentes ou se ainda não comi.
Queimo minha mente com ideias que se forçam a sair por dinheiro e por um prazer mais que masoquista.
A raiva que me inunda ao me levantar é dissipada num dia de confrontos, debates e reflexões. Até certo ponto importantes, às vezes infrutíferas, outras puramente mentais, sem possibilidade de alterar absolutamente nada, mas me espanto, penso e desenvolvo mesmo assim.
Quando eu encontrar essa tal felicidade, espero ter raciocínio para discerni-la e memória para segurá-la, nem que por um tempo.
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