terça-feira, 17 de setembro de 2013

16. O fogo

Que paixão é essa que me delira, me consome e me apaga?..

Quero um copo do gosto que um dia senti de vinho. Quero um pedaço do sabor das frutas colhidas no bosque que eu mesmo plantei. Quero uma gota de acidez do suco de limão que me queima a pele de felicidade.

Dentro do peito é fogo, na carne é vácuo, no pensamento nenhuma lembrança; só um universo de vidas, atos e coisas.

Quase seguro meu coração que não cansa de pulsar, não deixa de sentir, não para nem pra respirar um pouco.

Sem um destino certo, sem um tostão não investido, sem nada além de vida, sentimento e sofrimento. Sofro dessa felicidade, aquela que me faz ser o meu próprio vício, que me destrói ao tentar construir um mundo perfeito. Uma ideia de mundo prefeito.

Imediatamente me vejo no meio do nada, sem chão, sem pés, sem corpo, sem vida. Me vejo sem nem olhos para ver, me vejo não vendo, nem vejo. Só sinto, e o que sinto não é.

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