quarta-feira, 23 de abril de 2014

Era uma manhã fria, ela saía do quarto com os olhos embaçados, fixou-se diante do espelho e se olhou por alguns minutos com a escova em uma mão e o creme dental na outra; se olhou como nunca antes havia feito, parece que se penetrava nos deslindes de seu mal acordado raciocínio.

Naquele instante tudo se passou de maneira pontual, não linear, mas pontual em sua mente. Todo o passado, todo o futuro, todas as referências, conceitos e ideias voltaram, como se fossem apresentadas de uma só vez em sua mente, tão rápido e tão instantâneo que nem mesmo seus olhos se fecharam numa piscada, apenas travou-se diante de si mesmo.

Era uma mulher atraente, forte, decidida, mas quando se lançava aos devaneios de seu coração  trancado não se deixava escolha que não fosse o olhar cálido e a face rubra de um tremelique que lhe fazia pensar nos ares adentrando suas narinas e inflando seu tórax.

Seu nome era Cálita, seu hobby era seu trabalho, trabalhava escrevendo cartas para analfabetos, ouvia, reproduzia e enviava pelos correios.


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