quarta-feira, 21 de maio de 2014

34. Será que sou um dos poetas tristes?

O doce toque de uma corda bem acochada no afino
penteios de pelos nunca nunca tocados
palato trêmulo pelo desfazer de um alpino
desperto estou dentro dos dedos moventes percalços

Mais que amor é só um deslinde
um sopro sem pressa
uma corda amarrada na porta
um perdido que se dá nessa estória

Sem drama nem medo
nem tédio nem fome
espaço sideral é o meu nexo
sempre de fora o enredo

Sofre sem dor nem lágrima
pasma sem pretensão
acalma-se naquela velha canção
velha, tão e só velha

Não há o que exista que me entorpeça em mim
tudo o que sinto de extravagante é o que sou
sou vida, miséria, orvalho
sou eu, meu cristo, não valho

Sem esterco sua boca se abre
dela o pior dos piores aromas
palavras vãs
pecados vis
vis

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