terça-feira, 3 de março de 2015

45. Carta do andarilho

No beco escuro de uma viela gotejante da última chuva breve, me desapareço como sem que me notassem. Surjo constante de cantos em cantos e desoriento aqueles que me veem. Rastejo de alma limpa na imundice da cidade mórbida desse terceiro submundo que me acolhe. Enquanto aqui permaneço, o único perigo é a mente que trago cheia de lembranças mórbidas e sensações desenfreadas. Tudo o que tenho é a paz de me deitar nesse pedaço de isopor. O frio é raro e não me incomoda; odores e roedores são companhias fidelizáveis. Não atrapalhem o breve contemplar que faço desses poucos suspiros que me restam.

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