sexta-feira, 7 de agosto de 2015

54. Uma boca que saliva

A estranheza de um amor pulsante à beira das costelas é estremecente, desesperante, arrepiante. Nas profundezas de cada gota dos meus olhos que brilham ao te ver, me banho, me afogo, me aconchego. Meus lábios se mordem, os dentes se rangem, cada músculo parece que toma vida só pra se matar na intensidade vibrante de cada nota dessa música que é o meu amor. Suspiros tomam conta de mim como se buscando a fragrância melodramática do seu palpitar. Não estou vivo nem morto, sou o devaneio das ondas que se cruzam no ar, sou o cálice de vinho amadeirado e a noite gélida de lareira a nos aquecer. Sou o orvalho que cresce nas folhagens e o vento que te envolve, te abraça, te sente e te move os cabelos. Sua pele é meu mar, seus movimentos são como ondas que me atingem, me enxaguam de vida; seus olhos traduzem a imensidão misteriosa dos meus sonhos, busco neles a imortalidade de cada momento, quase sem querer, sem notar, em sua vida encontro as verdades que tanto busco.

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