quarta-feira, 3 de agosto de 2016

63. Um nó de gravata

Na garganta um nó que trava a voz, no vento um arrepio. Um meio de se ver, um olhar mal amado, um frio na barriga. Nove vozes ao todo. Oito vezes sete, não vou calcular. Precisei de um amor e ele estava lá, me olhando dormir, me acariciando os cabelos. Sorte é o que me comove.

Aquele mesmo nó na garganta me dói os dentes de tanto ranger, me segura a fala, me trava no meio da explicação. A platéia me olha e eu fico mudo, sem direção. Tudo se move até que eu me lanço nos olhares risonhos daqueles que me assistem.

Sou completamente miserável nas minhas traduções, não dá pra mostrar a verdade àqueles que não querem saber, que se contentam com a ilusão.

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