Eu sou. Simples assim, meramente sou. Aquilo que se apresenta de mim não simplesmente é, mas, tão só, se mostra, aparece, reside na sensibilidade da realidade fatídica e cristalizada no devir das perecividades. Um passarinho é, assim como eu sou, inevitavelmente é, antes de se passarinhar. A passarinhatividade do passarinho reside no fundamento da essência passarinhística, o ser passarinho.
Como entidade, já desmembrado do entendimento do que por trás reside, o ser, o passarinho, com o perdão do trocadilho, passará. Não há como um passarinho ente se passarinhar eternamente senão no imaginário ontológico e metafísico platônico, através da essência imutável, mas peca o filósofo em compreender essa realidade desenvolvida a partir de sua imaginação como uma realidade mais real que a realidade realística e apresentável, o mundo sensível. Não, não há transcendência viável no padrão de conhecimento analisável. Mas imanência, como Aristóteles desenvolve, perfeitamente cabível é, já que não existe possibilidade racional de contra-argumentação com o modelo lógico de se desenvolver a racionalidade do debate.
O ser de cada coisa reside em cada uma dessas coisas. Um pterodáctilo atualmente apenas existe como forma, como imagem mental - reside na imaginação - mas no mundo sensível não existe referência capaz de se identificar um, portanto não há alma pterodactilesca no mundo, já que alma é princípio vital, é o motor que subverte os elementos conferindo-lhes uma organização natural e biológica, replicante, a qual chamamos vida.
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