sexta-feira, 27 de outubro de 2017

70. O ser poetizado sem versos

Eu sou. Simples assim, meramente sou. Aquilo que se apresenta de mim não simplesmente é, mas, tão só, se mostra, aparece, reside na sensibilidade da realidade fatídica e cristalizada no devir das perecividades. Um passarinho é, assim como eu sou, inevitavelmente é, antes de se passarinhar. A passarinhatividade do passarinho reside no fundamento da essência passarinhística, o ser passarinho.

Como entidade, já desmembrado do entendimento do que por trás reside, o ser, o passarinho, com o perdão do trocadilho, passará. Não há como um passarinho ente se passarinhar eternamente senão no imaginário ontológico e metafísico platônico, através da essência imutável, mas peca o filósofo em compreender essa realidade desenvolvida a partir de sua imaginação como uma realidade mais real que a realidade realística e apresentável, o mundo sensível. Não, não há transcendência viável no padrão de conhecimento analisável. Mas imanência, como Aristóteles desenvolve, perfeitamente cabível é, já que não existe possibilidade racional de contra-argumentação com o modelo lógico de se desenvolver a racionalidade do debate.

O ser de cada coisa reside em cada uma dessas coisas. Um pterodáctilo atualmente apenas existe como forma, como imagem mental - reside na imaginação - mas no mundo sensível não existe referência capaz de se identificar um, portanto não há alma pterodactilesca no mundo, já que alma é princípio vital, é o motor que subverte os elementos conferindo-lhes uma organização natural e biológica, replicante, a qual chamamos vida.

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