sexta-feira, 27 de outubro de 2017

71. Poema do ser sem dentes

Um tempo desfeito de sempre
o motor que me move é o tempero
daqui tão sensível o ente
de longe imanente desespero

Pensar ser razão de essência
desfrutar plena a consciência
sem referência empírica
sem interferência etílica

Pensamento sem imagem
raciocínio sem linguagem
ser apenas engrenagem
de um pleno e puro saber

Retorno à real consciência
daquelas inundas de essência
sem vícios, sem confusões
sentidos não serão ilusões

Voltando à razão donde vim
deixo cá meu corpo inútil
vivo lá, sem nem viver
volto a ser um mero ser

Sem agora me mostrar
passo a ser sem decidir
ninguém me fará chorar
ninguém me verá sorrir

Sou de essência pura
imaginação sensata
racionalidade imediata
igualdade plena e chata

Por enquanto vou ser ente
tanto quanto qualquer gente
se depois eu for divino
pensamento puro e fino
deixo ir a minha mente

largo o tempo ao meu destino
seguirei o meu caminho
serei pura inteligência
sem nome, nem rosto nem dente

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