No peito um coração que pulsa
Na brisa uma semente brota
Nenhum demônio me expulsa
Nem temo mais a derrota
De tanto cultivar maus olhados
Meus olhos vivem embanhados
Da dor que um dia sofro assombrado
Ou noutro eufórico, sou deslumbrado
Quero um gole de paz ou um trago de luz
Quero um pedaço de amor ou um olhar que reluz
Quero estrelas cadentes
Manter intactos meus dentes
Declarar amor eterno
Sair desse diário inferno
Rimo eterno com inferno
Só pra ver se lá me encontro
Ou se encontro um bom remédio
Que me chute dessa poça
Deus não me deu na vida dom
Eu sou, eu fui, eu vou
Sou eu mesmo o próprio Deus?
Ou poeira e para o nada eu voo
Se detesto tudo o que vejo
Se o amor é meu desejo
Quero amar como Sabino
Que nasceu criança e morreu menino
Nescau pra acalmar
Maresia pra juntar
Arroz com chocolate
Ou carne fria com abacate
Água fria pra escovar os dentes
Banho quente pra me ver contente
Celular antigo, uma das últimas gerações
Não quero mesmo entrar para o rol dos campeões
Com medo eu vou
Desesperado eu enfrento e voo
Pulo do alto do prédio mais alto
Mas vivo firme, até morrer me exalto
Confio em planos oníricos
Creio em desejos utópicos
Deus não tem nada a ver
Se ele existe ele nem quer saber
Com quem eu ando
Com quem eu amo
Com quantos deuses já experimentei o pranto
Com tanta ideia inócua já não me espanto
Perdido, renascido, recriado, ressuscitado
Louco desvairado, amante, alucinado
Com dinheiro e sem investir
Com vestido sem me vestir
Com tesão e sem gozar
Com amor, mas sem rezar
Me deito do seu lado
Deleito do passado
No presente não sou forte
Temo, temo, temo a morte
Coração sufocado de amor
Sem saber representar quem eu sou
Não consigo enfrentar esse pavor
De deixar de ser e dizerem, não brilhou
Me tatuo, me adereço
Pra lembrar do que nunca esqueço
Ser o que é, é privilégio dos loucos
Que se sabem loucos, mas esses são poucos
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