terça-feira, 17 de setembro de 2013

17. Desperta

O mundo inteiro gira sem rumo, sem medo, sem paz nem nada. O prêmio de consolação vai para o menos amado, aquele que se surra de vaidade e se mata sem vontade, mas se suicida. O cão que noutro tempo latia e guardava, hoje morre, enrijece, sofre, é um defunto indigente qualquer enrolado num saco plástico, mais parece um sapato guardado na caixa pra não amassar.

Destarte, sobretudo é enfisema ou aneurisma, não sei ao certo. É desprezo no canto da boca que, lentamente, num segundo se forma. É um olhar de boa surpresa que tenta se disfarçar num cômico e efusivo gargalho de desviar o foco.

Tudo se acalma. Tudo se estressa de tanta calmaria. A paz é inebriante, tediosa, enlouquecedora. Um grito sobrevém, um medo se alastra, um gemido se faz vida. Tudo se estremece num estrondo terrível; pavor, loucura, desespero, odor, caos.

Acorda, desliga o despertador e volta a dormir até acabar a soneca...

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