quarta-feira, 18 de setembro de 2013

19. Parto

Da dor que se cria a vida, do caos a ordem.

Sem perceber me entrego aos inimagináveis níveis de possibilidades que me cercam. Não em cada uma delas, mas me deito sobre todas, como um fétido cantor qualquer que se lança sobre os braços da plateia que anseia por uma cena de esborrachamento.

Meu sangue não circula, ele é pressionado a ir; não decide, não se deita numa cama de almofadas novas ou embrulhado com uma rede e um travesseiro diante de um céu enfeitado de estrelas que mesmo mortas não se cansam de brilhar.

Minha vida vive, e só vive. Ao passo que com o prosseguir desse tempo insensível, caminho só. Sempre acompanhado, mas só. Não há quem me acompanhe, nem eu mesmo ao fim de um dia cheio. Carrego-me de lições que não vou seguir, me enveneno do ódio e do nojo em certas ações de ditos seres  inteligentes, humanos.

Vou seguindo, me quebrando e me construindo de cacos que eu mesmo dispenso e pego de volta.

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