Estou tomando sede pra matar a água e a fome que eu como de
dentro de mim. Eu me desespero sem tempero de esperar por seu encontro de
encontrar alguma vez algo que eu tenho que dizer pra quem não quer ouvir. Não
quer dizer.
Nada do que eu tenho em mim é tão melhor que eu quero. Nada
do que eu sinto e sigo é tão certo ou singelo. Tudo o que brota em mim é a
mentira que eu guardo nos lábios. O mundo fica todo enrugado.
A água que me
banha me mata. O medo que eu fico do fim, do medo, do tédio e de tudo o que eu
sou.
Nada nem ninguém me ouve, nada do que eu não digo é dito a
ouvidos relapsos. Todas as palavras repetidas em desespero contido, em frases
mal dizidas, são medo de tudo o que eu não tenho que me esconder, nem me mostrar.
O espaço de um tempo parado é o delinear de uma ilusão
imperfeita de formas que me trazem fome.
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