terça-feira, 24 de setembro de 2013

20. Fome de ilusões imperfeitas

Estou tomando sede pra matar a água e a fome que eu como de dentro de mim. Eu me desespero sem tempero de esperar por seu encontro de encontrar alguma vez algo que eu tenho que dizer pra quem não quer ouvir. Não quer dizer.

Nada do que eu tenho em mim é tão melhor que eu quero. Nada do que eu sinto e sigo é tão certo ou singelo. Tudo o que brota em mim é a mentira que eu guardo nos lábios. O mundo fica todo enrugado. 

A água que me banha me mata. O medo que eu fico do fim, do medo, do tédio e de tudo o que eu sou.

Nada nem ninguém me ouve, nada do que eu não digo é dito a ouvidos relapsos. Todas as palavras repetidas em desespero contido, em frases mal dizidas, são medo de tudo o que eu não tenho que me esconder, nem me mostrar.

O espaço de um tempo parado é o delinear de uma ilusão imperfeita de formas que me trazem fome.

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