sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

24. Brisa imóvel

Um pastel assado recheado com frango desfiado e pimenta, da mais vermelha que tiver. Um dedo ensanguentado, olhos se derramando, uma fruta pêssego ao lado do pinguim trincado sobre a geladeira, dentro dela um aroma, doce, forte, fulgaz, rude. Por entre os dedos uma língua se lambe, um desvio encara o leite condensado na estante, ao lado do copo que cheio de vodka não se embebeda. Uma cova rara, de flores nunca vistas, nela um epitáfio: "volto a não existir, como antes; a história que deixo fica gravada no tempo, tempo que, como eu, nunca existiu".

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