Os dias de embate e guerra se acabam sempre numa noite que, serena, mostra o medo e a calmaria da paz de estrelas num universo tedioso e inebriante. Quantas são os cálices de vinho seco até secar o jarro de vidro?
O tempo se move, a vida se esvai, o mundo se morre, a calma se acaba. O passo se move num pulsar sanguíneo e descuidado. O tom que faz a chuva à janela é tão sonoro quanto o bater das asas de pássaros em formação nos céus de uma cidade qualquer.
A paz se goteja, o véu pisado da noiva que ousou casar-se de branco se rasga na próxima noiva, o medo é aliado da razão e da covardia. Sem amor ou o sentir de uma emoção pávida não há vida, não há nada, apenas o tédio de uma bela noite de céus avermelhados e uma chuva estonteante.
Pela paz, por uma graciosa serenidade, por um tédio de se morder com vastos dentes brancos, me dou a mim mesmo como um presente, como se uma grande fita vermelha me fosse um belo laço sem dobras, como o amor, como a vida.
Nada me resta, apenas o gracejo de gotas cortantes e constantes à, sempre aberta, janela do quarto. Com ou sem brisa me passo ao dia, com paz ou calor me desmonto em luz solar e me choro daquele tempo de profunda vermelha escuridão.
Por amor e pela paz que eu quero e tenho em mim prestes a despertar...
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