Sou pobre eu, que me enfrento em dias ensolarados esfriando o coração dentro d'um aquecido e frágil tórax. Sou mal eu mesmo quando me deixo ao deleite de iludidos contos retóricos de malacabados fragmentos de mundos poéticos. Sou quase não sei quando me digo aos berros que não quero o que quero. Não sou ilustre nem despreparado, nem qualificado ou inteiramente são. Sou músico sem ritmo, sou escritor sem frases, assassino sem vítimas e diretor sem cena. Meu lugar é dentro de mim, minha espada é a língua, meu desserviço é só com o relógio da loucura que se acelera sem sanidade.
Espremo laranjas, recalculo rotas, mastigo pimentas e choro sem lágrimas, sem prantos, sem sono nem vida. Caminho à janela, tento tragar um pouco do vento seco. Soletro textos de personagens que já saíram de cena, caio, me pego sem pensar.
Tão doce, tão vivo, apodrecendo aos poucos, tão eu.
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