O dinheiro é pra comer pastel com frango desfiado no jantar de uma iluminada e úmida cidade provinciana de baixos postes de luz e um impecável asfalto, de bares ingleses e uma segurança das que nos fazem esquecer de tomar corriqueiras precauções de religiosos países subdesenvolvidos como trancar as portas e janelas, deixar sempre o veículo preso em casa e com o alarme ligado.
Dinheiro é tão fácil quanto matar uma barata. Há quem não consiga, mas aos que sabem da inofensibilidade é simples como abrir um par de algemas com apenas um clipe de papel.
De lado do poste de luz eu observo as primeiras gotas de chuva, mas não é que o guarda-chuvas já estava a postos... Num mundo pensado, em que se pode pensar em melhorias antes de imaginar-se num ambiente seguro, a chuva não cria enxurradas, casas não ficam alagadas, mortes não morrem em vão.
Do lado de fora fico eu, tentando, do muro, enxergar um pouco do que conversam seminus na grande e limpa piscina de água mineral. Só cutuco um pouco a porta pra tentar entrar, escavo, roo, ranjo meus dentes e continuo tentando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário