quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

41. Banquete de vinhos tintos

Eu fico a caminhar pelo espaço sem tempo, sem pressa, sem nada pra fazer. Meu coração é sem segredos, sem medos, sem dinheiro e sem nenhuma direção. Eu fico aqui destemido, sem dores, com um coração que só bate pelos meios, na mão, apertado, com um laço ao seu redor.

Furo e perfuro as estacas no peito que eu mesmo retiro de mim. Enquanto eu me entrego, me levo, me deixo escorrer pelos dedos dessa minha inclinação. Meus toques, seu doce, sua pele me ferve de tanto querer. Eu vou pelos passos, me disfarço, me enlaço no encalço desse seu olhar, em meu olhar.

Minha pele se queima e eu fico aqui, sem nexo nem pressa, aflito e confuso sem nem me entender. Todas as mesas dispostas, compostas, sem me entristecer. Num desenhar que se forma e disforma quando a festa começar. Se começar. Se a festa vir tudo vai resplandecer. E eu vou viver. E eu vou morrer. E eu vou, mas vou, só vou.

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