quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

42. Rádio pirata

De dentro do peito eu tiro as conversas que eu não reconheço.
Profundo eu estou, caindo de dentro de mim.
Percorro entre veias e axiomas, frases e leucócitos.
A voz da escuridão opaca que me bombeia o sangue grita.
Num retrocesso ecoa num jingle a voz sem afino que canta aos pedaços.
Não reconheço as escritas que eu vejo.
Não sei pausar os detalhes do filme.
Sem entender me dissolvo, divido, repito, contraio.
Tudo hoje em mim é luz.
Toda a vida em mim é a sintonia de uma rádio pirata.
Um ser, duas consciências, dois grilos que gritam.
Duas vozes que ecoam e me fazem morder as bochechas e acordar meio morto.
Que clara escuridão, que silêncio repetitivo e ensurdecedor...

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