quarta-feira, 20 de maio de 2015

51. Ritual

Nada me interessa mais que sentir o gosto do orvalho que brota na relva ao raiar do sol, subir numa arvore à espreita de uma manga de vez pra salgar e comer logo antes de me embrenhar nos debaixos de um pé de umbú, e ali ficar até meus dentes brocarem.

Nada me espera mais que um jardim pra me deitar e enlamear meus cabelos após a chuva, coçar-me como nunca por tocar sem camisa na grama, correr e tomar um belo tombo sem me machucar. Nada mais quero que a tranquilidade de uma rede sacolejante, um copo de limonada, uma dose de pinga e uma madrugada fria defronte a um belo site de filmes.

Um copo de barro servido do melhor whisky, três pedaços descascados de cana, dois dentes de alho no fígado frito com jiló e servido com farinha de mandioca. No sacolejo da rede mórbida, entediante e animadora.

Logo depois me esqueço de tudo, acendo uma fogueira, frito um bacon, derreto um queijo e um pedaço qualquer da carne de caça e retorno ao rio pra me lavar, dormir e reiniciar o mesmo ritual no dia seguinte.


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