quinta-feira, 10 de março de 2016

57. Noutro engenho

Tudo se despedaça no brilho de um olhar infindo. Nada nessa paz me comove, nenhum endereço me compraz. Todos os versos são decepcionantemente flutuantes. Nenhuma árvore deixa seus frutos caírem, mas todo fruto, bom ou podre há de cair. Tudo o que me apraz é vicioso, nenhuma canção me distrai. Vivo cambaleante e inconsistente, vivo quase morto, me arrastando como correntes de um fantasma numa casa de vidro.

Não há paz maior que a que experimento nesse belo raiar de sol dessa quinta-feira quase santa. Meus olhos se abriram num brilho estelar, minha vida se inundou de um ar repleto de felicidade, numa experiência incomparável. Todos os tons foram recepcionados por meus ouvidos de maneira límpida, com uma sonoridade musical. Num harmônico sorriso me encho de paz, com o coração emocionado de amor e vida me explodo de feliz.

Sou dúbio, sou a força que me contrai e a elasticidade que me pressiona. Nada em mim se manifesta diverso. Nada em mim se quebra ou se reconstrói. Tudo simplesmente é.

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