quinta-feira, 17 de março de 2016

59. Permeia

São inócuas as palavras amargas sem convicção de poder. Solidariedade incontida e desenhada nas ranhuras de uma democracia abalada. Um crente, uma orgulhosa. Uma dúvida, uma crueldade. Todos estão errados! Todos são corruptos! Ninguém é inocente. Todos guardam sua culpa abaixo dos grampos de cabelo. Meus cabelos são compridos, minha paciência é curta. Se de um lado enxergo gritos desesperados e vazios, de outro vejo a encarnação do mal nos olhos. Ninguém paira pelas vibrações lógicas de verdade alguma. Todos se mostram verdadeiros arquitetos de um jogo sujo de um tabuleiro velho. Se uns fogem da justiça, outros clamam por injustiça. Enquanto tudo desmorona eu saio de manso. Não sou pacifista, não sou violento. Sou o silencioso grito dos que teimam em não aceitar a mentira como verdade nem ousam eleger a verdade como mentira.

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