quinta-feira, 28 de abril de 2016

60. Cena

No quarto pouco iluminado, uma janela quebrada, uma mesa empoeirada, um cofre caído e destruído e molduras de fotos nas paredes sujas, mofadas, quase ocas. Na estante velha uma porção de livros encobertos pela poeira do tempo que os deixou de capas fechadas. Estranhamente a poeira não adentra nas páginas que permanecem perfeitamente legíveis e passáveis. De dentro do peito se abre uma nostalgia também empoeirada, um desejo de que o tempo se aquiete. Há aqui uma verdadeira poesia de cacos e pedaços. Talões de cheque velhos, papéis rasgados, pedaços de lata e um laço de fita que sobreviveu a toda desventura. Nem toda a sujeira do mundo é capaz de evitar o brotar de uma flor teimosa em nascer.

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