segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Animais: criaturas infalíveis

UM TRATADO SOBRE A FALIBILIDADE, O ERRO, A INCOERÊNCIA E A FÉ

Da animalidade não humanística

Animal para o presente contexto é tudo aquilo que é vivo, se reproduz, se locomove, dotado de um sistema nervoso e cerebral - ainda que de menor complexibilidade e/ou não centralizado - e interage no mundo sensível, ou melhor, no mundo físico; como um cachorro, um gavião, um boi, uma formiga ou uma barata.

Conhecidamente, nenhum animal, senão o homem, por isso o colocamos numa categoria apartada, dota de intelecto suficientemente desenvolvido ao ponto de neles determinarmos uma razão.
Não digo que não são pensantes, nem tampouco que não possuem intelecto ou inteligência, mas que não desenvolveram a racionalidade de avaliar o mundo e o moldar tal como faz o homem.

Se tivessem assim feito, não seria um homem a escrever o presente tratado, mas talvez um caprino com seus chifres ou um pelicano com seu grande bico.

A racionalidade foi algo que se impôs ao homem, e, até então, pelo que se sabe, apenas ao homem. O que não significa que em algum momento do tempo outras espécies não tenham desenvolvido e tenha sido extinta, ou que não desenvolverão em um futuro aleatoriamente distante.

Não tendo pois, raciocínio, nem método lógico de pensamento com concatenação de ideias interagindo criatividade, vontade, imaginação, memória, sensibilidade e estrutura racional, não há que se falar em razão, mas tão somente em ação baseada em instinto, memória e vontade.

A animalidade não tem a capacidade humana racional, portanto, não tem também meios para errar nem acertar, tendo em vista que erro e acerto são juízos aferidos, não por outras mentes humanas, mas pelo próprio método racional, pela própria lógica. O que podem fazer, e constantemente o fazem, é praticar o equívoco sensível ou equívoco de memória, como calcular mentalmente que alcança determinada plataforma num salto e não conseguir ou esquecer-se de um comando já aprendido num adestramento, ou quando um cão estranha o dono, por exemplo. Os exemplos analisados não tratam da concatenação das ideias prévias e criativas com a finalidade de se obter um resultado racional sequer análogo ao humano, mas equivocam-se frequentemente ao desconhecerem alguma função ou habilidade que têm e, ademais, por se esquecerem de alguma memória escondida em algum lugar do seu cérebro.

Portanto, seres humanos são os únicos capazes de errar ou acertar, tendo em vista que tanto o erro quanto o acerto são derivados da razão, mas todas as espécies, incluindo o homen, são capazes do equívoco, que é derivado basicamente das memórias e das sensações - sentidos.

Da humanidade não animalesca

O tratado em tela não busca analisar a animalidade numa perspectiva brutal ou meramente instintiva, mas apenas num paralelo com a animalidade humana, dotada de razão e raciocínio lógico. O objetivo da análise é estabelecer os limites da animalidade e distinguir o ponto crucial de diferenciação entre o pensar puro animalesco e o pensar complexo humano.

O modo de pensar do indivíduo humano é passível de erro e acerto, porque apenas com a lógica e com a razão é que se percebe a confusão racional, donde surgem tais elementos, que ocorre quando se aplica o método racional de forma incorreta. Diferente dos animais, que sequer têm a potência atualizável, ou em outros termos, sequer têm a possibilidade fatídica de se buscarem da razão para alguma análise, isto por não possuírem razão, mas mero pensar. Portanto, se não usam a razão, não podem usar a razão de forma incorreta, nem, por óbvio, correta.

O que difere o pensamento racional do pensamento puro animalesco é uma atividade desenvolvida pelos seres humanos que se descreve na linguagem verbal. Sem a linguagem, não conseguiria o homem, e não teria porque fazê-lo, desenvolver ideias complexas através da análise lógica da realidade. A análise lógica apenas é possível a partir de dois prismas, seja a matemática, em qualquer de suas formas de acepção, e a linguagem, independentemente do idioma praticado, mas que seja verbal.

Para rápido adendo, excluímos daqui também a análise lógica das obras de arte, porque chegaríamos num problema ontológico em que o indizível se faria presente no conceito não-conceituável de arte. Não há como ultrapassar, logicamente, a ontologia da arte, com a lógica e a razão apenas se chega ao problema, se trabalha o problema, mas nunca se diz o indizível, nunca se chega à conceituação, já que ela é inalcançável por natureza.

Humanidade não animalesca para o presente contexto não implica em uma dualidade, não faz contradição, não se contrapõe, não é oposto de desumanidade no contexto que se tem de humanismo, ou grade de direitos humanos. Mas tão somente traduz um modo diferente de pensar a realidade e experienciar o mundo.

Tal dualidade pode ser motivo de análise em outro ambiente, mas, no texto que se discorre não é essa a proposta, a análise aqui é se há ou não razão em cada um dos modos de pensar, tendo de um lado os animais, e de outro, outro animal, porém diferente, o animal humano.

Do modo de pensar dos homens





Do modo de pensar dos animais
Do equívoco ao erro
Da falsa percepção da realidade
Da distorção da realidade racional
Da derivação da fé da racionalidade

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