quinta-feira, 30 de novembro de 2017

75. Da persistência à preguiça

Há momentos em que o deitar me consome, o prazer de sentir o cheiro do travesseiro a confortar minha nuca é como um, e derivação de, para um sonho que me apazigua o ser. Há momentos de trabalho, mas a virtude da preguiça me motiva a trabalhar noutro momento. Não procrastino sem motivos claros. Minha mente se desintegra quando se acomete a um esforço de destruir pedras psíquicas, ou quando me prostro sobre o teclado em desenvolver de ações, ou em um refletir profundo e desgastante como sobre a arte fundamental, ou a ontologia da arte. Nenhum trabalho me é mais valoroso que o descanso que me contempla, assim como eu o faço existir quando deitado paro a me deleitar de um ventilador e um cobertor. Noutro tempo persisto a produzir, a colaborar com o todo, a fazer existir o objeto do meu suor mental. São extremos opostos que se completam, ambos se mostram como valor fundamental e virtude inalienável.

Sou o deitar em lençóis árduos que me perfazem num descanso produtivo. Às vezes me faço, noutras descanso de fazer ser aquilo que sou, pois sou parte preguiça e outra exata metade trabalho.

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