Nada a ver com o universo que pulsa e que num certo momento certo, nos encontraremos como meros seres pura e repletos de puro ser. Aplausos ao poeta que ao tocar, me toca e que ao cantar, me encanta.
Um ferro de passar roupas que se amassaram por intenção de serem, em momento adiante, passadas, num quente ferro quente, de calor, a tal ponto, que me calo, quando passo. .
Uma coruja que me olha com esses olhos aflitos e intrigantes, ela não pode olhar de outro jeito, mas sua expressão me incomoda, talvez ela queira me chamar a atenção para a plaquetinha onde se inscreve SABEDORIA, em letras vermelhas, garrafais e saltitantes. Por acaso uma garrafa qualquer neste instante me faria mais fluido, belo e perspicaz às asperezas dos deslindes que toco no teclado frio.
Livros na estante, sem nada neles a me interessar, caixa de som quebrada me observa com um olho só, olho que não me vê, mas se mostra como se me visse.
Uma lâmpada apagada, errada, uma seta não dada, dois reais a serem novamente trocados, sem interação monetária na avença, até que pisque o que é de piscar.
Uma arma falsa, tão falsa quanto quem a carrega nas mãos. Me pego neste instante com ela em punho, engatilho, aponto para um inimigo qualquer, tlac, só o som do gatilho que nada explode nessa arma falsa, sem fogo, sem pólvora, sem pavor fronte ao apontar do cano, sem fumaça. Acostumado com o gatilho, acostumado com o efeito que o gatilho me dá, tanto na arma verdadeira, quanto na falsa. Acostumadando.
Toda foto, todo retrato, tudo aqui, quisera não fosse, mas aquietar-se é o padrão. Mas, estando lá quieto e me mostrando algo, se movimenta em meus pensamentos quando daquele flash saem as lembranças, que interagem com a imaginação, quando daquele momento estático deixo seguir em meus olhos fechados, que pensam o momento que precederam e sucederam outras imagens aqui ocultas, mas que só se mostram nas histórias caladas agora, mas que podem ser despertadas para que contem em um dia qualquer.
Bolsas, mochilas, microfones, o próprio computador, coruja de olhos penetrantes e fixos, como de quem quer me dizer algo, luzes apagadas a serem trocadas, fio branco que não se liga a nada, livros que não quero mais reler, pelo menos uma faca inútil, que nada corta, mas embeleza, e ajuda a tirar o sapo debaixo do armário (vejo que até coisas inúteis às vezes se vêem no auxílio para o correr do rio que é o mundo, tudo funciona pelo e para o correr do rio que vai, não para de ir, vai até não saber mais pra onde deveria ir, e encontra o mar, onde se salga e adoça minimamente seu pai mar, maior, mais efusivo, mais completo e complexo. Que mata quem de sua água bebe sedento.
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