Uma nova vida, uma nova estrada, que eu guio sem cuidado, vou no limite do vento, sem pensar em parar, sem lembrar dos postos de estrada, berrando sem ser ouvido, gritando o que eu preciso querer gritar, só pra lembrar do quão vivo aparento hoje estar. Tudo me dá influência, desde a morte do zumbi até o jornalista que quer mostrar o lado bom e rico da áfrica, passando pelo sujeito que deixa que o cachorro caia do quinto andar e o apara com um lençol, salvando heroicamente o sujeito branco, peludo e de quatro patas.
Tudo é rock, tudo me faz gritar, gritar até sangrar os ouvidos, gritar até queimarem os dedos que digitam nessa velocidade incontrolável, que não sabe dizer se a concordância do texto concorda com a gramática das pontuações aleatoriamente lançadas no papel virtual.
É tudo projétil que se atira pra acertar um inimigo desconhecido, talvez nunca visto, que talvez nunca faria mal nem a uma mosca, que talvez fosse vegana por ideologia, que talvez fosse uma criança cometendo o grave e capital pecado de ter nascido e estar dormindo em seu berço com sua almofadas e seus pequenos lençóis, talvez esse foi o enorme pecado. Fora ironias, lança-se a bala que mata a criança, todos sofrem, inclusive o escritor dessa anedota, todos devem e estão autorizados a chorar nesse instante, mas não vão, pois chorar te faz fraco, te faz sensível, te mostra as suas fragilidades, você perde o privilégio de estar em posição, mesmo que ilusória, de algum tipo de poder.
Você pode, mas não precisa poder, pensemos bem, pra que tantos poderes, se eles matam, sofrem, sangram, lacrimejam, berram, desesperam? Pra que poder? Poder pra que?
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